O setor financeiro, um dos mais flexíveis do mercado em termos de conciliação entre a vida profissional e pessoal, segundo especialistas

O setor financeiro é um dos mais flexíveis do mercado em matéria de conciliação entre a vida profissional e familiar, segundo indicou a professora e diretora do Centro Internacional de Trabalho e Família do IESE-Universidade de Navarra, Nuria Chinchilla, por ocasião da apresentação do primeiro estudo, «Conciliação Empresa-Família no Setor Financeiro», pertencente à coleção «Estudos Alares-IESE» sobre conciliação, vida familiar e pessoal. Finanzas.com/ Europa Press A este respeito, o ensaio salienta que «o setor financeiro destaca-se num mercado competitivo, pela sua orientação para a rentabilidade e por incluir medidas de conciliação. Além disso, encontra-se acima da média global no que diz respeito aos níveis de desenvolvimento de uma Empresa Familiarmente Responsável (EFR)». «Do total de empresas, sete por cento não só têm políticas de conciliação, como também criam um ambiente empresarial propício ao seu desenvolvimento; a sua cultura já é familiarmente responsável. Em contrapartida, há treze por cento de empresas “contaminantes do ambiente”. Estas ainda não compreenderam o novo desafio, uma vez que carecem de políticas familiarmente responsáveis», acrescenta o estudo. A MULHER NO QUADRO DE PESSOAL, SINÓNIMO DE POLÍTICA DE CONCILIAÇÃO. Quanto às novas tendências do mercado de trabalho, o relatório salienta que o fenómeno sociodemográfico da entrada das mulheres no mundo profissional foi a causa «dominante» da flexibilização das empresas nas últimas décadas. «As empresas que têm um maior número de mulheres no seu quadro de pessoal desenvolveram mais políticas de conciliação», indica. Esta situação acentua-se no setor financeiro. Segundo este projeto, «há empresas onde mais de setenta e cinco por cento do quadro de pessoal é composto por mulheres. Nestes casos, existe uma cultura empresarial no ambiente de trabalho e estão estabelecidas políticas de conciliação que são essenciais; além disso, são aplicadas práticas familiarmente responsáveis. Pelo contrário, quanto maior é a percentagem de trabalhadores temporários num quadro de pessoal, menor é a implementação destas políticas de conciliação». O SETOR FINANCEIRO, NA VANGUARDA DA FLEXIBILIDADE LABORAL. Quanto às medidas de flexibilidade de horários no setor, 56 por cento das empresas oferecem um horário de trabalho flexível, contra 38 por cento da amostra total. A distribuição irregular do tempo de trabalho foi introduzida no setor da intermediação financeira — bancos, caixas económicas, companhias de seguros —, embora também tenha tido um grande impacto em setores com um elevado nível de emprego temporário. «41 por cento das empresas do setor, contra 31 por cento da amostra total, utilizam as políticas de conciliação familiar como estratégia corporativa. Atribuir um orçamento às iniciativas de flexibilidade indica que estas são consideradas parte da estratégia da organização. No setor financeiro, trinta e cinco por cento das empresas dispõem de um orçamento, o dobro da amostra total, e, dentro destas empresas, vinte por cento fazem uma revisão anual, contra dezoito por cento do total de empresas da amostra», conclui o estudo. Estes resultados foram obtidos no estudo IFREI — IESE Family Responsible Employer Index — de 2007, no qual participaram 857 empresas, das quais 15 por cento são PME e 85 por cento grandes empresas. Estas percentagens foram comparadas com as cinquenta e oito empresas do setor financeiro — banca, entidades financeiras e seguros — pertencentes ao setor segurador privado. A Fundação Alares tem como objetivo investigar, contribuir e desenvolver propostas e soluções para as novas necessidades do século XXI, nas quais a igualdade de oportunidades e a erradicação de qualquer discriminação, a multiculturalidade, bem como a sustentabilidade, especialmente no que diz respeito à coesão social e à competitividade económica, constituem os desafios mais prementes.