A presença de mulheres nos Conselhos de Administração das principais empresas espanholas aumentou significativamente nos últimos anos, segundo um estudo apresentado pela professora Núria Chinchilla, do IESE, e pela consultora Inforpress.
Atualmente, as mulheres representam 12,5% dos membros dos Conselhos de Administração das empresas do IBEX-35, contra 5,14% em 2008. Um nível que, apesar do aumento, está longe de ser satisfatório e de refletir as recomendações previstas pelo Código Unificado de Boa Governação. Foi o que se destacou no «I Fórum de Mulheres com Poder», realizado hoje em Barcelona e inaugurado pela jornalista e administradora delegada do grupo de comunicação português Media Capital, Rosa Cullell, ex-diretora-geral da CCMA.
Para Nuria Chinchilla, professora do IESE, «as melhores empresas são as que apostam na diversidade nos seus conselhos. O avanço está a acontecer com naturalidade. Não é necessário forçar artificialmente o ritmo».
Por seu lado, Nuria Vilanova, presidente da Inforpress, considera que «os Conselhos de Administração são especialmente significativos pela sua visibilidade. A integração de mulheres exerce uma influência positiva e merece ser destacada, sobretudo a presença de mulheres administradoras executivas, que, embora ainda seja reduzida, reflete também a melhoria nos órgãos de direção».
É possível observar uma evolução positiva, embora extremamente lenta. Atualmente, são 63 as mulheres que integram os órgãos de administração das empresas que compõem o Ibex-35. Este número duplica o de 2008, há apenas quatro anos, quando o seu número mal chegava às 26, tendo aumentado em nove em 2011. Em poucos meses, o número de mulheres aumentou consideravelmente, traduzindo-se num crescimento da diversidade nos órgãos de decisão das empresas do Ibex-35.
A Caixabank e a FCC são as duas empresas com maior paridade nos seus Conselhos de Administração, com 5 administradoras cada. Segue-se a Acciona, com 4 mulheres, e a Abengoa, a Indra e a REE, com 3 administradoras cada. No extremo oposto, a Endesa, a Gas Natural e a Técnicas Reunidas continuam a resistir à nomeação de mulheres para os seus conselhos, sendo as únicas empresas do Ibex-35 sem representação feminina no seu órgão máximo de poder.
Ainda há poucas executivas
Das 63 mulheres que atualmente integram os órgãos de decisão das grandes empresas, apenas duas ocupam cargos de administradoras executivas: Ana Patricia Botín-Sanz, do Banco Santander, e María Dolores Dancausa Treviño, do Bankinter — uma proporção ínfima, tendo em conta que existem 79 administradores executivos homens. A representação feminina é mais significativa noutras categorias de administradores: 41 administradoras independentes, quatro vezes menos do que os administradores independentes homens, e 19 administradoras dominicais, um número mais de oito vezes inferior ao dos homens que desempenham a mesma função. É de salientar que não é contabilizada qualquer administradora externa. A presidente não executiva da DIA, Ana María Llopis, acumula esse cargo com o de administradora, na categoria «outros».
Os conselhos mais equilibrados são os da Red Eléctrica Española (8 homens e 3 mulheres), da Acciona (10 homens e 4 mulheres) e da Indra (11 homens e 3 mulheres). Apesar de ter mais administradoras, a proporção de mulheres no total do conselho é inferior na Caixabank e na FCC.
Em qualquer caso, observa-se uma evolução positiva quando se comparam os números de exercícios recentes. Das 26 mulheres administradoras em 2008, passou-se para 43 em 2009 e, em 2010, para 52. Foi no ano passado que a evolução estagnou, aumentando apenas em duas administradoras no final das Assembleias Gerais de Acionistas de 2011, embora no final do ano o número tenha crescido até chegar às 58.
A explicação para o aumento do número para 63 no início de 2012, em apenas alguns meses, deve-se em grande parte às alterações na composição do Ibex-35: por um lado, à entrada do Bankia, com 2 administradoras, em substituição da Iberdrola Renovables e, por outro, ao facto de o atual índice ser temporariamente composto por 36 empresas, com a entrada da DIA (2 administradoras), sem que tenha sido ainda decidida a saída de nenhuma empresa. Assim, há mais 9 mulheres do que as contabilizadas no VII Relatório do Fórum de Boa Governação 2011 (54), e mais cinco do que após as Assembleias Gerais de Acionistas (58).
Por enquanto, a tendência continua a ser de subida, uma vez que o Conselho de Administração do BBVA decidiu propor à próxima Assembleia Geral de Acionistas, que se realizará este mês de março, a nomeação de Belén Garijo como nova administradora independente, o que fará com que a entidade passe a ter 14 membros no seu conselho e duas administradoras.
Apesar de o número de mulheres administradoras aumentar ano após ano, o seu ritmo de crescimento é inferior ao desejável para promover a diversidade de género nos conselhos: 441 homens contra 63 mulheres. Estes números representam uma percentagem de presença feminina de 12,5%, muito distante das recomendações do Código de Boa Governação e da Lei da Igualdade de 2007, cujo objetivo é alcançar um grau de paridade de, pelo menos, 40%.
Estes dados complementam o estudo elaborado pelo Fórum de Boa Governação e Acionariado, fundado pela Inforpress e pelo IRCO do IESE em 2009.


