França inaugura o observatório para a acessibilidade e lança um plano em benefício das pessoas surdas

A França inaugurou ontem o Observatório para a Acessibilidade, uma instituição responsável por supervisionar os progressos dos trabalhos destinados a adaptar estabelecimentos e transportes públicos às necessidades das pessoas com deficiência. Este organismo será composto por representantes políticos, profissionais dos transportes e da construção e membros de associações de pessoas com deficiência, anunciou Nadine Morano, secretária de Estado francesa da Família. A sua missão será avaliar a acessibilidade atual dos edifícios e dos meios de transporte, detetar possíveis problemas, propor soluções e ajudar as autoridades locais a pô-las em prática e a cumprir a regulamentação nesta matéria. Segundo dados da Association des Paralysés de France, 87% das instituições públicas locais e 86% dos teatros e estádios são acessíveis; no entanto, 60% das cidades estudadas pela organização de pessoas com deficiência não tinham nenhuma linha de autocarro totalmente adaptada. Por seu lado, Morano reuniu-se com o responsável da RATP, o consórcio de transportes de Paris, para abordar o problema das entradas do metro que, devido a dificuldades técnicas, não é possível adaptar às pessoas com deficiência, propondo-lhe resolver esta questão complementando esse meio de transporte com outros que sejam acessíveis. Ao longo deste ano, todas as estações do metro parisiense passarão a dispor de avisos informativos sonoros, a fim de responderem às necessidades dos passageiros cegos. PLANO A FAVOR DAS PESSOAS SURDAS Por último, Morano anunciou o lançamento de um plano a favor das pessoas surdas em França, dotado de 52 milhões de euros. O referido plano prevê a criação, em 2011, de pelo menos um novo telejornal noturno num dos canais da televisão pública France Télévisions, integralmente traduzido para língua gestual, bem como a legendagem obrigatória em francês de todos os DVD vendidos em França. No âmbito desta iniciativa, será também criado este ano um serviço telefónico que permitirá às pessoas surdas efetuar chamadas para os serviços de emergência, além de disponibilizar um diagnóstico sistemático da surdez aos jovens dos 16 aos 25 anos e às pessoas com mais de 60 anos.