A OCDE salienta a falta de políticas para conciliar o trabalho e a família em Espanha

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico apresentou na passada quarta-feira um relatório que salienta a necessidade de o nosso país promover políticas que facilitem a conciliação da vida profissional, familiar e pessoal. De facto, este documento indica que as dificuldades das famílias espanholas em conciliar o trabalho e a família estão a provocar as baixas taxas de emprego feminino e de fecundidade. Em Espanha, a taxa de fecundidade é de 1,4 filhos por mulher, face à média de 1,74 dos 34 países da OCDE. Segundo este estudo, o adiamento da maternidade por motivos profissionais fez com que a idade média das mulheres espanholas ao terem o primeiro filho se situasse nos 30 anos. Quanto às taxas de emprego feminino em Espanha, este relatório salienta que, apesar de no nosso país ter ocorrido um aumento destas taxas, passando de 32,5% em 1995 para 53,5% em 2009, continuamos abaixo da média da OCDE. Por outro lado, o relatório denuncia que muitos pais dependem do apoio dos avós para poderem tomar conta dos filhos fora do horário escolar. Tanto assim é que aproximadamente um quarto dos avós do nosso país cuida diariamente dos netos. Além disso, a OCDE destaca que, em Espanha, as mulheres dedicam mais tempo ao trabalho não remunerado, concretamente 5 horas por dia, em comparação com as menos de duas horas dedicadas pelos homens. Para os autores deste estudo, uma divisão equitativa do trabalho não remunerado poderia contribuir para uma maior participação de pais e mães no mercado de trabalho. Espanha ocupa o 29.º lugar entre um total de 35 países nas políticas de bem-estar familiar, enquanto a Dinamarca, a Finlândia, a Noruega, a Áustria e a Suécia ocupam os primeiros lugares da classificação.