Os imigrantes retiram recursos de saúde aos reformados?
Saúde Internacional. Por Rodrigo López-Vélez
Um dos pontos do debate político destas eleições centrou-se na imigração, culpando os imigrantes de fazerem colapsar o sistema de saúde do nosso país. Segundo esta perspetiva, parece que oferecemos caritativamente assistência médica a este grupo tão numeroso em Espanha. Mas esta acusação carece de fundamento; pelo contrário, já que pagam e continuarão a pagar por ela com juros.
Vieram muitos e em poucos anos, dispostos a trabalhar, já adultos e baratos, sem que o Estado tivesse tido de investir um único euro na sua saúde.
Com uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, Espanha teria perdido cerca de 10 milhões de habitantes. Mas a catástrofe demográfica não ocorreu, em parte graças aos imigrantes. Não teria havido, portanto, trabalhadores suficientes para pagar as pensões dos reformados de hoje e de muitos mais num futuro próximo.
Com a dependência dos idosos e praticamente sem apoios estatais, alguém teria de ficar em casa a cuidar deles. É particularmente revelador que sejam as estrangeiras a cuidar de 90% dos idosos dependentes. Além disso, trabalham no serviço doméstico, permitindo que a taxa de atividade das espanholas tenha crescido 12% na última década.
Se compararmos o contributo anual dos imigrantes para os cofres públicos com as despesas que geram, o excedente a favor do Estado atinge os 5.000 milhões de euros (contribuem com 23.402 milhões e recebem 18.618 milhões de euros). Isto significa que a imigração contribuiu para 39% do crescimento médio do PIB per capita e aumentou em 623 euros o rendimento anual de cada espanhol. E com esse dinheiro podem manter-se 900.000 pensionistas espanhóis de pura cepa, uma vez que menos de 1% destes são estrangeiros (incluindo os cidadãos comunitários).
O paradoxo é que muitos desses pensionistas espanhóis apoiam o discurso contra a imigração.
É claro que existem situações de sobrelotação e colapsos pontuais da Saúde, mas resolvem-se com investimentos em infraestruturas e com a contratação de mais profissionais de saúde, e não culpando os imigrantes.
As previsões apontam para que Espanha seja um país com um envelhecimento acentuado, no qual a população com mais de 65 anos aumentará em oito milhões e a população em idade ativa diminuirá em 6 milhões entre 2007-2050. Mas se não vierem mais, se expulsarem alguns dos que já cá estão, quem pagará as futuras pensões e quem cuidará de nós?


